
Celine e Celene se conheceram no trabalho. Apesar da diferença de idade, elas carregam consigo a energia própria das duas gerações distintas. Ambas são dinâmicas, assim como alegres e suas características físicas opostas revelam suas personalidades peculiares. Como todo bom colega de trabalho combinaram de sair para aproveitar um pouco do que a noite agitada da cidade oferece, sendo que levaram um certo tempo para decidirem o local, tendo em vista o gosto musical diferente das duas. Naquele dia, não puderam usufruir da companhia de uma outra participante, então decidiram ir a um bar que já conheciam. Celine se aventurou pelo bairro de Celene tentando encontrar a casa da amiga, o que lhe rendeu um certo esforço e uns bons minutos rodando pelo labirinto das ruas do mesmo. Finalmente encontrou a amiga e, após algum tempo, se puseram diante do tão comentado bar. Pausa. Existe uma coisa que se chama persistência. Persistir na ideia de ir a um local fadado a um bom ambiente vazio não é uma boa atitude e muito menos perguntar ao segurança do local, que por sua vez está ali apenas para cumprir um turno de algumas horas, se existe uma remota possibilidade de entrar em uma festa. Resultado, persistência a parte e Celine e Celene ficaram a ver navios dentro do próprio carro. Naquele momento, uma dúvida cruel surgiu em seus pensamentos e elas simplesmente resolveram tentar um recinto mais animado. Segunda pausa. O que uma pessoa que tem ojeriza de samba vai fazer em um bar com banda de pagode? Boa pergunta. Pergunte a Celene e ela terá o maior prazer em responder a indagação. Após fazer o reconhecimento pouco animador do local, escolheram um canto preferido para chorarem as mágoas daquela noite inacabada. Olhavam para os lados, para as mesas, para a decoração do local, para a paisagem lá fora, para os garçons afoitos servindo os clientes, tentando achar uma explicação viável que justificasse tamanha falta de opção. E assim, após Celine mostrar seus talentos de rainha de bateria com todo afinco e com toda emoção e amor ao samba, as amigas tomaram o rumo de casa. Frustradas sim, mas alegres por terem mais uma história pra contar. Detalhe: A narradora deste texto, citada no começo, não as acompanhou neste dia, estava com aquele sentimento de não sei se vou ou não, mas com toda certeza pode imaginar as risadas de Celine e Celene no percurso de volta para casa. Quem sabe na próxima vez ela também será personagem de mais um conto. Ou até mesmo narrará em primeiríssima pessoa as aventuras vividas em mais uma noite divertida. E as nossas personagens Celine e Celene finalizaram o episódio com uma boa noite de sono! Afinal, ninguém é de ferro.

