sexta-feira, 17 de julho de 2009

Helena

Todos os dias Helena brincava com seu ursinho de pelúcia que ganhara de sua avó. Ele era marrom e sorria em todas as brincadeiras. Acordava pela manhã vestida com seu pijaminha comprido cobrindo as canelas e saia correndo pelos campos verdes da fazenda onde morava. Em cima da árvore havia uma casinha de madeira, que fora construída pelo seu pai quando ela ainda era um bebê de colo. Lá ela conversava com seu amiguinho contando todas suas alegrias e frustrações infantis. Ficava ali dentro horas, às vezes só, outras na companhia de alguma amiguinha que vinha visitá-la. O lugar era lindo, a casa de fazenda dos tempos dos engenhos tomava conta do cenário impondo respeito e seguindo tradições. Além dos campos verdes havia um carro de boi, uma cerca ao longe, plantações muito bem cuidadas e cores próprias da natureza. Helena era sorridente, os cachos caiam sedosos em seus ombros e balançavam ao vento quando ela corria. Tinha uma vida simples, porém com todas as facilidades proporcionadas pela boa situação dos pais fazendeiros. Ela dizia que seu ursinho era o melhor amigo que alguém podia ter como seu fiel companheiro. Com ele brincava de roda, fugia e se escondia no celeiro quando fazia algo inadequado e era para ele que dedicava todo seu tempo de menina. Um dia ganhou uma câmera fotográfica de presente e dele tirou sua primeira foto. Queria guardar para sempre a imagem de seu amiguinho querido. Achava que, assim como os humanos, ele também iria ficar junto dos anjinhos um dia. Não queria esquecê-lo. O tempo foi passando e a menina crescendo, assim como seus sonhos. Veio a seca, a fase difícil, a puberdade. Seus interesses foram modificando. Bailes, amigos, namoros, primeiro beijo escondido na fazenda. Sentia um frio na barriga ao pensar que tudo era diferente. A casinha de madeira já não era mais tão frequentada. Helena se tornou uma adolescente linda, seus cabelos cacheados e claros chamavam atenção dos meninos da região. O tempo foi passando e novas descobertas surgiram. Aos vinte e um anos viveu um período conflitante. Ficar na fazenda e administrá-la com seus pais ou mudar-se para a cidade grande e ir em busca de novas conquistas. Passaram-se muitos dias e chuvas até que Helena conseguisse pensar no assunto. Uma bela manhã, seguindo o costume, ela levantou-se da cama, estava vestindo um pijama listrado, procurou seu amiguinho e correu pelos pastos. Sentou-se por um tempo sentindo a brisa do vento e deixou que as lembranças tomassem conta de seus pensamentos e do seu corpo. Já ao entardecer tomou a decisão de ficar. Ali era o seu lugar. Cuidadosamente, fitou seu amiguinho nos olhos. Sorriu para ele mais uma vez e deixou que lágrimas escorressem pelo seu rosto singelo. Estava feliz. Levantou-se observando o horizonte e começou a caminhar de volta para a casa da fazenda, levando consigo seu ursinho marrom.

quarta-feira, 15 de julho de 2009



Life, oh Life, oh Life!!!!!!!!!!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Confiança



Confiança é o ato de deixar de analisar se um fato é ou não verdadeiro, entregando essa análise à fonte de onde provém a informação e simplesmente absorvendo-a.Confiar em outro é muitas vezes considerado ato de amizade ou amor entre os humanos, que costumam dar provas dessa confiança. A confiança é muito subjetiva porque não pode ser medida, é preciso acreditar em alguém e conhecê-lo para poder confiar, o que torna a confiança um conceito intrínseco. Confiança é o resultado do conhecimento sobre alguém. Quanto mais informações corretas sobre quem necessitamos confiar, melhor, formamos um conceito positivo da pessoa.
Fonte: Wikipédia
Será que posso confiar em você? Isso seria um ato de amizade? Tenho realmente um conceito positivo a seu respeito? Assim como a confiança, a convivência também é subjetiva. Demanda tempo para ser assimilada. Ora, vivemos em um mundo egoisticamente construído para a modernidade. Os valores e conceitos sofreram e ainda vem sofrendo mutações que passaram de geração em geração. O importante para muitos é aquilo que se tem e qual o valor da troca em todos os sentidos. Somos colocados diante situações que se escolhermos o caminho do bem ou da honestidade total e plena somos chamados de bobos ou ingênuos. Você confia demais nas pessoas? O certo é ser esperto, dar um passo a frente do outro sem a preocupação se os mesmos estão felizes ou não. Conhecer uma pessoa e confiar requer tempo. Mas, como fazer isso se o mundo é imediatista e as pessoas estão inseridas neste contexto? Como diferenciar intuitivamente aqueles que serão nossos confiáveis amigos e nossos parceiros para a vida toda? Ou será que isso não existe mais? Relacionamentos de maneira geral se transformarão em mercadorias do futuro? Antigamente trocavam-se dinheiro, objetos, e até mesmo chocolates eram utilizados como moeda. E hoje, troca-se uma amizade por algum interesse qualquer. Aquele amigo de fé e irmão camarada da música está sendo esquecido. Ainda bem que temos as músicas, as artes plásticas, a poesia para nos contar histórias reais desses belos e preciosos tempos. A humanidade caminha ao passo do futurismo, e os amigos, estarão lá para contar as histórias vividas e dizer: como foi bom confiar em você?!