sábado, 27 de junho de 2009

A mulher da estrada.

A estrada era sem fim. Não sabia exatamente o destino final. Mas passava por ela discretamente sem que ninguém me percebesse. Talvez porque eu não quisesse ser percebido. Era o meu momento, único e inevitável. Durante vários instantes naquele percurso me senti só. Mergulhado em meus pensamentos. Comecei a observar a rodovia aonde carros iam e viam de maneira despojada. Cada qual com sua finalidade. Aquela era a minha vida, dura, difícil, escrita com esmero pelas lembranças que trazia em minha memória. Ao longe avistei alguns pássaros gorjeando, buscando sua rota. Então, as flores daquele lugar sorriram pra mim e eu percebi nelas o aroma suave que o orvalho havia deixado como rastro. Misturavam-se com o verde esmeralda da plantação na beira da estrada. Senti o vento em meu rosto trazendo certo conforto. Conforto das lágrimas que naquele instante não tinha. Mais na frente uma senhora carregando troncos de madeira chamou minha atenção. Sua aparência simples retratava a doçura e a pureza da vida de todo dia. Ela carregava nos ombros, passo a passo, a esperança de um dia melhor e, no coração as marcas da vida sofrida. Provavelmente teria andado quilômetros segurando aqueles troncos. Talvez fosse chegar a casa tarde levando aquilo que aqueceria o seu lar. A idade já era visível através das rugas em sua pele e, a cada tronco que caía, ela não desistia. Pegava a madeira do chão e a colocava de volta. Assim continuou seu caminho por algum tempo. O tronco caía, ela o pegava e caminhava mais um pedaço. Observei sorrateiramente aquela mulher. De alguma forma me identificava com ela. De repente, um tronco maior caiu dos ombros da bela senhora. Inesperadamente, ela tomou uma decisão. Dessa vez não se abaixou para fazer a coleta. Mas, jogou os outros troncos pesados no chão e continuou seu caminho. Sem culpas, sem medo. Apenas andando. E eu permaneci ali, chorando por dentro, pois naquele exato momento, diante daquela mulher desconhecida começaria a reescrever minha própria história.

Texto baseado em um fato real que me foi contado. Homenagem.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O Baile

Naquele baile ele corria
Buscando um coração
Andava pelas travessas
indo então na contramão
Gostava de ver os olhos
Daquela a lhe conquistar
Chegava perto com calma
Só pra vê-la passar
Desconfiado era o moço
Quando olhava assim
Batia forte o peito
Emoção que não tinha fim
A música embalava a todos
Num ritmo a despertar
O desejo daquele moço
Para com ela bailar
Rodavam pelo salão
Parecendo então flutuar
Colavam seus rostos bem perto
Queriam só namorar
10/03/09

domingo, 21 de junho de 2009

Amor e Poesia

Poesia eterno amor
momentos
amanhã
encontro
amor marcado
inesperado
amor