terça-feira, 19 de maio de 2009

Mini

Escrever com o coração
palavras da alma
frases do pensamento
retrato de momentos históricos
lembranças de uma vida
conhecimento como fonte
experiência redigida
uma linha aqui
outra acolá

domingo, 17 de maio de 2009

Sapatilhas de ballet

A primeira sapatilha era cor-de-rosa clara. Tinha um formato estranho, parecia não caber nos pés de uma criança. Nelas foram dados os primeiros laços. Ainda eram pequeninas quando deram seus primeiros passos em uma aula de balé. Controlavam as pernas frágeis que sustentavam o peso para fazer os exercícios mais básicos. Brilhavam ao som das músicas de cada aula. Elas se esforçavam e aos poucos foram conquistando o coração das sapatilhas mais experientes que se emprenhavam para ensinar ao pequeno par tudo que sabia. Via nelas uma grande bailarina. Com o tempo as sapatilhas ficaram pequenas para aqueles pés que se movimentavam cada vez mais. Foram, então, trocadas por outro par mais novo. As antigas ficaram expostas lindamente em uma canto especial. Eram um amuleto. As novas sapatilhas deram um show nos anos seguintes. Participaram dos primeiros espetáculos e revelaram a habilidade de uma guerreira. As fitas amarradas junto aos tornozelos eram de cetim, assim como também o pano cinza que revestia as pontas. As sapatilhas foram ficando usadas novamente e mais uma vez foram trocadas. Agora, dois pares expostos significavam a evolução naquela arte. Os anos se passaram e pares de sapatilhas fizeram história. Viraram profissionais e, em cada apresentação, as sapatilhas dançavam e davam saltos pelos ares dos palcos. Com o tempo elas envelheceram. Adquiriram marcas profundas de uma época que não volta mais. Deixaram de ser destaque para serem coadjuvantes. Hoje elas não dançam, mas contam a sua própria história.

A bailarina em um balé



O palco está vazio. O silêncio toma conta do ambiente. Jogados pelo chão, fios, caixas de equipamentos e espera. O cenário simples ainda não revela a grandeza do espetáculo. Cores discretas ocultam a magia daquela tela de fundo que, mais tarde, será transformada em uma bela floresta tropical. Andando pela coxia é possível observar as bailarinas terminando seu aquecimento, jogando a saia solta em um leve movimento sincronizado. O verde da maquiagem caracteriza bem as personagens, dando vida ao figurino. Luzes prontas, plateia chegando e se acomodando nos lugares. É hora de começar. O primeiro sinal é dado e todos passam a prestar atenção no que ocorre lá na frente. Segundo sinal e o público já está pronto. O terceiro sinal soa e as cortinas vermelhas se abrem. A tela de fundo mostra a paisagem magnífica da floresta Amazônica, as imagens se misturam aos bailarinos que se posicionam para o primeiro ato. Tudo perfeitamente pensado e belamente planejado. Durante a primeira parte, a dança toma conta do palco. A beleza dos movimentos encanta os observadores que se impressionam com as performances. Algumas palavras podem ser utilizadas para descrever o grande show. Flutuar, voar, girar, arabescos, piruetas, rotações, saltos. As sapatilhas em ponta equilibram a primeira bailarina em bela postura que é desfeita quando seu parceiro a levanta magistralmente em posições perfeitas. Os dois tomam conta do espaço e dançam o amor em plena harmonia. No segundo ato os aplausos substituem o silêncio após o final de cada cena. A cada passo, um olhar brilha na plateia. O tempo passa despercebido e a música toca sua última nota. De pé, o público aplaude sem parar. Quantos sonhos foram sonhados ali, quantas lembranças foram vividas. É hora de ir embora. Não mais existe o silêncio das coxias, ele foi substituído pelo burburinho e palmas atrás das cortinas. O público se retira. Ao olhar o teatro as cadeiras estão vazias. Mas a melodia e a coreografia ainda imperam no ar. Nesse instante, o sorriso da bailarina se torna eterno.