quinta-feira, 26 de março de 2009

A arte de escrever!

Escrever é realmente uma arte....Ficamos vários e vários minutos em frente ao computador tentando achar as melhores palavras.Elas chegam, vão embora e continuamos olhando pra tela do computador como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. O que fazer com esse espaço em branco que desafia o pensamento do poeta? Pintá-lo de amarelo? Verde talvez. Não, insistimos em buscar as palavras. Elas, por sua vez, brincam com o nosso humor, driblam a criatividade e se escondem em algum lugar dentro de nós mesmos. Permanecemos quietos, tentando preencher aquela folha virtual super convidativa. Tomamos água, bebemos café, comemos alguma coisa e a palavras continuam escorrendo pelos dedos, peraltas e levadas. Uma sílaba. Ufa! Não essa não gosto, não é assim que quero começar esse texto. Era uma vez.....não que tal algo mais original? Um dia ela chegou em casa.....peraí, eu queria escrever um poema e não uma narrativa. algo está errado. Ih, acho que o teclado travou. Vou reiniciar o computador. Pronto, agora sinto uma momentânea inspiração. Vamos lá, coragem. Onde eu parei mesmo? Esqueci de salvar o arquivo. Ah, não tem problema, começo outro texto. Hum, sobre o quê eu estava falando? Ah! também não estava ficando tão bom assim. Já sei, vou ler alguma coisa antes, quem sabe faço uma crítica sobre o assunto. Mas acredito ser melhor começar com a expressao "certa vez". É, fica bom esse início. Nossa! Estou atrasada! Preciso resolver um monte de coisas. Vou anotar essas duas palavras para que eu não as esqueça. Agora é só desligar e recomeçar na próxima vez. É,escrever realmente é uma arte!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Show de Rock

Era uma vez uma noite.
Chegamos por volta das 9 e meia procurando o melhor elevador. Paramos em frente ao que achávamos mais adequado, naquele ainda vazio estacionamento. Uma vaga bem em frente ao elevador. Na expectativa de encontrar as pessoas lá em cima, subimos os andares. Ao sairmos do elevador nos deparamos com muitos outros vazios. Loja vazia, janela vazia, corredor vazio. Afinal, é um evento ou não é?

Procuramos a entrada do bar, um tal Hard Rock, onde roqueiros e espectadores se misturam para ouvir tipos de música. No caso daquela noite, pop rock eu diria. Uma breve fila nos separava dos astros. Nela personagens de várias tribos e cores de maquiagens. Havia até mesmo alguns caracterizados de terceira idade. Vejam só, a melhor idade em pleno show de rock. Isso é que é prestígio. Os primeiros comentários foram feitos, os convites entregues e lá estávamos nós três, segurando os respectivos três cds que foram entregues para os 500 primeiros ouvintes. Como montar dois pares? A pergunta estava no ar. Entramos no recinto. Uai, essa música me parece estranha para um show de rock, passos pra lá, passos pra cá, duplas dançando....Ufa, que alívio lá estava ele. O João. Era ali mesmo o concerto.

Após alguns minutos fomos agraciados com uma mesa vip. Sinônimo de muita sorte em um lugar onde pessoas se embolam em beiradas esperando, aflitas, alguém se levantar dando sinal de escapada. Um drink para refrescar o paladar e começamos a longa conversa. Alguém aceita um refresco de limão embutido? Essa era a bebida da vez. O que as pessoas costumam conversar em eventos como esse ninguém consegue explicar. São tantos assuntos misturados que fica difícil saber quem é quem. Mais fácil identificar um sujeito suspeito com um copo de chop na mão vestindo uma camisa branca de gola do que saber exatamente os detalhes de várias histórias. Sem contar que olhares infinitos são mais fáceis de serem percebidos. Os homens que me desculpem, mas eles são mestres em olhares noturnos.

Aguém falou em show aí? Lugar certo, banda certa e a música que não começava. O motivo dado foi a fila do lado de fora. Enfim, tudo tem uma razão de ser. Minutos longos de espera para logo depois sentirmos uma satisfação total com uma excelente música. Alguns gritavam, outros se esparramavam, terceiros se esgoelavam e uns apenas se movimentavam seguindo o ritmo. Formas diversas de curtir o mesmo som. Aceita outro limão embutido? Fomos aqui, fomos ali, cantamos o que soubemos, sorrimos o que não cantamos. Era uma alegria geral. Acho que o menino da blusa listrada estava um pouco deslocado. Mas também a vida não é tão fácil quando se vem de uma cidade distante. Os movimentos no palco eram incríveis. A voz era forte certa do que estava fazendo, o baixo bailava ao som do rock. Os outros instrumentos acompanhavam tudo, extasiados. Partes eternas de uma banda de rock.
Idas e vindas ao banheiro, poses para fotografias e, depois de algumas horas, os espaços começavam a se formar. Sem contar na parada para aquela fila básica do pagamento. Para completar, bolo de chocolate inacessível. Partes de um quebra-cabeça noturno em um típico bar de rock.

Já havíamos falado de tudo, comentado sobre todos, conhecido alguns, experimentado espumantes, limão embutido e petiscos, andado para todos os lados, rido dos casos e acasos, seguido todos os olhares possíveis, descobertos algumas verdades. Sim, era sim. Hora de ir pra casa. E o veículo ainda estava lá, em frente ao mesmo elevador.

29 de novembro de 2008, Hard Rock Café. Belo Horizonte,MG.

terça-feira, 24 de março de 2009

Mundo moderno e o aroma do café

Em meio a um mundo de tecnologia e modernidades, nós, humanos, ávidos e querendo ficar ligados em tudo que está acontecendo, esquecemos das coisas simples da vida. Hoje um amigo mencionou o simples fato de fazer um café no meio do dia e sentir o cheiro daquele aroma perfumado tomando conta do ambiente de trabalho. Não gosto muito de café, mas gostei da sensação que isso me proporcionou. Muitas vezes deixamos de lado as coisas normais do dia-a-dia porque estamos preocupados com a globalização ou com o próximo desafio profissional. Será que as pessoas ainda conseguem balancear os milhões de compromissos diários com a simplicidade da vida? Quantas vezes nos pegamos passando horas navegando na internet, sem nenhum aproveitamento e direcionamento, e deixamos de lado nosso lado simples e completamente humano. E por que não falar de beber um copo de água vagarosamente sentindo seu frescor, olhar pela janela e escutar o canto de um pássaro que pula de galho em galho na árvore entoando uma bela sinfonia. Essa era da tecnologia que nos traz muitas possibilidades e um globo terrestre de informação já faz parte da nossa existência. Ela entra em nossa casa sem permissão, muda nossos conceitos forçadamente, traz questionamentos e derruba o tradicionalismo. Gosto da modernidade, sou fã incondicional do futurismo sem exageros, penso que toda evolução leva o homem a repensar para melhorar. Modernos podemos ser sim, mas nunca sem essência.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Londres

Lembro-me de todos os cinzas daquela cidade,
Do ar puro que vindo dos verdes parques
Da maré que tomava conta do rio Thames
Chegava e ia embora todos os dias
O caminhar pelas margens
trazia uma sensação de liberdade
ventos gelados do norte
E era dia de se proteger um pouco mais
Cada passo quando nevava um pouco
Chão transformado, escorregadio
Ver as pessoas nas ruas
O corre corre de uma cidade grande
Todos querendo chegar a algum lugar
A pressa inevitável de um lugar de concreto
Quase tudo me encantava
Contraste do vermelho com amarelo ouro
Quando passava por uma das ruas principais
Grandes monumentos
Grandes surpresas
Uma vida conquistada ali.
18,02,09

domingo, 22 de março de 2009

Noite de réveillon!
Já dizia a minha mãe desde sempre. O melhor da festa é esperar por ela. Alguns personagens se caracterizam. Cada um escolhe a vestimenta de acordo com sua personalidade e desejo para o próximo ano. Aquela expectativa gostosa que invade o ser humano todo dia 31 de dezembro de cada ano. Um sentimento de renovação e de deixar para trás tudo aquilo que não deu certo. Assim acontece o réveillon de cada ano.
O meu se passou de uma forma mais ou menos inusitada, eu diria. Na correria de fim de ano os ingressos dos participantes dessa história foram comprados em etapas. Uns antes, uns na última hora. Um convite pequeno, feito de papel colorido com informações das bandas respectivas e tipos de guloseimas que seriam oferecidas pelos organizadores do local. Tudo de primeira com muito requinte e com todas as pompas exigidas pela ocasião. Afinal, não é sempre que as pessoas têm a oportunidade de ver fogos de artifício com tanta proximidade.
Chegar ao local marcado foi uma maratona tão árdua quanto à corrida de São Silvestre, devido ao temido temporal que tomou conta da cidade de Belo Horizonte. Rios se formavam pelas ruas, carros paravam pelo caminho e nós, com aquele otimismo típico de fim de ano, encarávamos tudo com certa naturalidade. Enquanto íamos seguindo caminho observávamos tudo à nossa volta. Gente, cadê o trânsito? Onde estão os moradores frenéticos que deveriam estar tentando chegar aos lugares? É, havia alguma coisa no ar. Ufa, chegamos. Quer dizer, chegamos à lagoa. Nessa hora era só seguir as placas de desvio, parar atrás de vários carros com o mesmo objetivo, achar o caminho mais fácil de acesso à orla da lagoa, colocar o carro no estacionamento, descer, andar e entrar. Sem contar na decisão de levar ou não a sombrinha, achar o dinheiro para pagar o ticket do estacionamento, tomar cuidado para não pisar na poça d’água, enfrentar a fila certa, etc. Enfim, entramos no clube.
Há alguns minutos antes desses acontecimentos um dos nossos integrantes havia feito um comentário via celular sobre a complexidade do ambiente. Ele se mostrava receoso quanto a vários fatores, mas não queria nos deixar preocupados. Naquela altura do campeonato não havia mais senões, porém, mas, e se, talvez e nenhuma outra expressão gramatical com a mesma finalidade. Após uma revista geral em nossos corpos e acessórios, entramos.
No início parecia uma festa, aquela festa estranha com gente esquisita já ditada em uma anterior letra de música. Mas a música agradava e estávamos envolvidos com o espírito de réveillon. Continuamos a fazer o reconhecimento do local. Uma pausa nessa parte. Que banheiros eram aqueles? Como assim não podíamos utilizar os toaletes da parte interna do recinto? Meu Deus, aquilo era um balde de gelo em nosso humor. Não tínhamos as pulseirinhas brancas. Como não pensamos nisto antes? Trocamos alguns olhares, falamos com alguns responsáveis pelas tais pulseirinhas e continuamos com o primeiro banheiro. Olhar desconfiado daqui, dali e nada. Fomos para a parte de cima. Que maravilha, havia uma tremenda praça de alimentação. Resolvemos nos deliciar com os diversos sabores da comida italiana. Um pratinho de plástico e uma mistura parecida com um macarrão de tirinhas e algumas cores acompanhando era o prato do dia. E nós que achamos que o nhoque ao molho de camarão ia ser uma das opções. Ou talvez aquela lasanha preparada no capricho com condimentos refrescantes e saborosos. Para os seres vegetarianos como eu, aquele era um dos momentos mais dramáticos. Posso dizer precisamente quantas linhas sem gosto de carne consegui arrematar bravamente para enganar a vontade de comer uma verdadeira massa. Teve gente que comeu duas vezes.
Não consigo entender o porquê de se andar tanto para um lado e para o outro nesse tipo de evento. Não há espaço, as pessoas se esbarram, tropeçam, a confusão é geral, mas acho que a esperança de se achar um lugarzinho aconchegante deve explicar essa dúvida. Havia um sofá branco no meio da multidão na parte eletrônica funk do clube. Sorte de quem conseguiu sentar. Deve ter sido um bom momento de alívio.
Meia noite. Bolinha vermelha, bolinha amarela, bolinha branca, e alguns outros efeitos intercalados dos fogos de artifício. Foi assim a passagem de ano. FELIZ ANO NOVO! Afinal, era essa a idéia inicial. Engraçado, não conseguimos ver os fogos na parte frontal onde havia uma bola de plástico gigante de um canal de televisão atrapalhando o alcance do nosso olhar. Nos sobe e desce da noite voltamos para a parte coberta. Bem na hora do segundo pé d’água. Agora sim era uma grande concentração de pessoas vindas de todos os lados. Gente, gente, gente. Aquela multidão só pensava em duas coisas. Proteção imediata contra a chuva e início do show de pagode. Que começou logo depois. A visão era de apavorar, um tanto de gente embolada com as mãos para cima batendo palmas tentando acompanhar o ritmo, fãs frenéticas aprimorando suas vozes em um cantar desafinado, algumas brigas acontecendo no meio do bolo e nós ali tentando decidir o que fazer naquele momento. Sim, era melhor irmos para casa. Já havíamos comemorado o suficiente para a ocasião e local.
Passamos primeiro aqui, depois acolá. Uma pessoa do grupo buscou a sombrinha que estava guardada em um esconderijo secreto que ninguém sabia. Quer dizer, alguém mais sabia. Isso aconteceu logo depois que entramos no clube. Fomos então descendo a rampa com aquele sentimento inexplicável dentro de nós. Não sabíamos se falávamos alguma coisa ou se deixávamos o silêncio falar por nós. Andamos pela orla da lagoa voltando para o nosso veículo adorado. Ah, a lagoa! Como é linda! Agora então sem aquele estresse de várias vozes pedindo para tomar conta do carro. Entramos no carro, todos em perfeito estado, olhamos um para o outro decidindo como continuar nossa maratona, fechamos o vidro, ligamos o motor e fomos dar uma volta pela lagoa para apreciar o fim de festa nos outros lugares. Nossa! Mais um engarrafamento! E essa rua é contra mão! Volta!
Jõao entrou no shopping com esperança no coração. Aquele era o dia mais importante da sua vida. O dia de realizar seu sonho de menino. Segurando sua mãe com a mão esquerda ele ficou estarrecido com o tamanho daquele lugar. Já havia ido à shoppings, mas aquele parecia maior do que os outros. Tinha o tamanho do seu sonho. Foi caminhando lentamente, com o leve pisar dos seus seis anos. Aquelas pessoas vindas de todos os lugares pareciam assustá-lo, pois carregavam presentes, caixas e pacotes de todos os jeitos. Quanta confusão. Ele começou a ficar aflito quando sua mãe parou em frente a uma loja de perfumes. Será que era ali o local certo. Não, não era. Sua mãe apenas olhou a vitrine e continuou andando. Ele não conseguia falar nada, parecia estar sufocado de tanta ansiedade. Afinal, esperou um bom tempo para o breve acontecimento. Outras crianças passavam por ele chorando, umas rindo segurando seus pacotes. Ele, que tinha baixa estatura para sua idade só conseguia ver o essencial. O mundo na visão de uma criança. Após algumas paradas para conversar com conhecidos, sua mãe o pegou no colo repentinamente e apontou em uma direção. João olhou para todos os lados e não encontrou nada. Havia muitas pessoas na sua frente e ele começou a chorar. Aquele choro comoveu os que estavam perto, pois era de muita emoção. Era um som baixo de quem estava desiludido. De repente, uma mão tocou seu ombro e o chamou pelo nome. Ao virar-se uma luz brilhou em seus olhos e João parecia não acreditar no que enxergava. Um senhor de barba branca, vestindo uma roupa vermelha o carregou no colo, entregou-lhe um pacote colorido e deu um beijo em sua bochecha. E assim, com lágrimas nos olhos, João deu um sorriso, retribuiu o beijo do Papai Noel com um abraço apertado e começou o caminho de volta para casa.