quinta-feira, 7 de julho de 2011

VOLTO EM BREVE COM NOVOS TEXTOS......

terça-feira, 26 de abril de 2011

Conversa


Conversa entre tres pessoas idosas na fila de vacinação contra gripe:
- Oi tudo bom?
-Oi, sô, como vão, quanto tempo!
- Pois é tem mesmo, e a senhora ta boa?
-Eu tô, tamo aqui esperando pra vacinar contra gripe.
-Mas cê não tá lembrando de mim né?
-Desculpa, mas não tô te reconhecendo.
-Eu sou o fulano, lembra?
-Nossa! Agora tô te reconhecendo, como vai?
-Tudo bom com a senhora?
-Tudo ótimo, e o senhor?
- Também vou bem, tirando uma dor aqui outra acolá.
-É verdade, eu também tenho algumas na coluna.
-E como vão todos em casa? E os netos do senhor?
-Ah! Todos bem, uns casaram, outros não.
- Coisa boa, assim que é bom.
-Então tá, acho que vou sentar ali, foi um prazer rever vocês.
- Ah! O prazer foi nosso! Até mais!
- Até, lembranças aos filhos!
- Ah, darei!
Resumindo: Sensacional!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Elizabeth

Elizabeth nasceu pequena, porem alegre e muito querida. Era uma crianca esperta, mas muito agitada em alguns momentos. Gostava de ficar sempre no mesmo lugar e seus movimentos involuntarios incomodavam um pouco. Quem poderia aguentar Elizabeth? Com suas peculiaridades, era persistente e suas caracteristicas ainda da tenra idade chamava apenas um pouco de atencao da sua dona. De um dia para outro a menina cresceu, virou mulher forte, segura e com personalidade. Sua dona nao mais suportava tamanha agressividade, e decidiu combates seus instintos mais selvagens. A cada hora combatia seus devaneios e dizia pra ela que nao queria mais sua arrogancia. A partir de agora teria que obedecer as regras, ou seja precisaria partir. E os dias se passaram e Elizabeth resolveu ser modesta, ficou apenas observando a hora de ir embora. Hoje esta quase de malas prontas, mas ainda isistente deixou resquicios ainda marcantes.
Assim termina a historia de uma afta. Boa noite.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Mandioca com Achucar


Existe uma palavra que se chama confusão. Batata parece mandioca, sal parece açúcar e que tal batata doce que se parece com mandioca frita regada com achucar? Assim começa essa história. Um grupo de pessoas sentados em uma mesa de bar, comemorando o aniversário de uma das participantes da noite. Conversas pra lá e pra cá, presentes ganhos, um dia confortável até que uma das integrantes faz o primeiro pedido comestível da noite:
- Moço, queremos uma porção de mandioca frita com queijo em cima.
Até aqui tudo bem, apesar de nós acharmos que alguém tinha ido plantar a mandioca e arar a terra. O papo continua, risos e mais casos a serem contados. Então chega o fatídico momento em que alguém vira pro lado e comenta com a pessoa imediatamente à sua direita:
- Nossa! Essa mandioca está parecendo batata doce. Experimenta pra você ver.
A amiga da uma dentada no garfo e concorda com a observação. Então, a observadora da questão pega um saquinho em cima da mesa, le a embalagem e diz:
- Gente, coloquei açúcar ao invés de sal.
E a companheira responde:
- Achucar? Não acredito! E eu ainda concordei com seu comentário?
Gargalhadas a parte. O desfecho foi o seguinte: Além do açúcar a mandioca havia sido temperada com ketchup, ou seja, nada mais saboroso para uma festa de aniversário.
E ainda paladares regados com bebidas diversas. Feliz Aniversário então! Que seja assim, sempre divertido e exoticamente celebrado! E fim de noite.

domingo, 31 de outubro de 2010

Cotidiano.

Cotidiano era um sujeito tranquilo. Levantava pela manhã, tomava seu café pingado e ia para o trabalho. Funcionário comum, cumpria suas obrigações todos os dias, porém não gostava de sair da rotina. Fazia uma pausa para um lanche as dez da manhã. Depois almoçava a uma da tarde no mesmo restaurante todos os dias. Preferia o tempero da Dona Maria, cozinheira há anos naquele local. Após o almoço resolvia problemas de banco. Estava sempre com a pastinha transparente na mão. As duas da tarde voltava ao escritório e continuava seus afazeres. Tomava outro café as quatro e finalizava seu serviço as seis da tarde.
Certo dia, cansado de tantos dilemas, não prestou atenção e errou o caminho do trabalho, aliás, pegou o ônibus errado. Esqueceu que havia ido de carro pro escritório no dia anterior e deixou o carro dormir ao alento em frente ao prédio onde cotidianamente trabalhava. Ao olhar para fora do ônibus observou diferente local, por onde nunca havia passado. Pessoas perambulando rapidamente, atrasadas como de costume, escolas recebendo crianças para mais uma jornada matinal e um carrinho especial de sorvete. Rapidamente desceu e foi comprar um sorvete de creme, lembrando quando era criança em sua terra Natal. Cotidiano era de uma cidade bem próxima à cidade grande.
Passado algum tempo, lá estava ele, pegando um taxi de volta rumo à sua rotina. A partir deste dia, resolveu fazer algo diferente, inusitado. Passou então a olhar pela janela enquanto trabalhava, observando além do que sempre enxergara.
Hoje, Cotidiano é um cara diferente, almoça em diversos lugares, sai mais cedo do serviço quando pode e mudou até mesmo seu visual. Não usa mais a pastinha transparente, comprou um laptop. Sua rotina agora são suas escolhas de todos os dias.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Gato por Lebre, Moto por Bezerra


Um dia parei para pensar por que aquela moto ainda estava naquele mesmo local, um canto esquecido da minha garagem. Assim, solto em meus pensamentos, começo a história do meu gado.
Eu sabia que aquele rapaz não podia dirigir o meu carro, por isso tamanha resistência eu tinha em sentar ao seu lado no banco direito do veículo. Às vezes que o fiz, não gostei. As que não o acompanhei, também não gostei. Sabia que um dia escutaria aquela frase que aleatoriamente insistia em me perseguir. Até que em um determinado momento, ele entrou em minha sala e me comunicou: - Bati seu carro, quero dizer, a moto bateu no seu carro. Imediatamente aquele frio na barriga voltou à minha região abdominal e eu, sem poder questionar, mas já questionando fui verificar o tamanho do prejuízo. Chegando ao local, deparei-me com meu carro, a moto, um rapaz me olhando sem saber se explicava ou pedia explicações e aquele cruzamento, onde previ o acontecido por tantas vezes. Após negociações paralelas, não tive escolha. Devido à falta de dados e documentos, colocamos a moto no meu danificado carro e lá fui eu de volta para a minha garagem, carregando a danada da moto e seus parafusos soltos. Durante alguns dias imaginei o que fazer com aquela sucata, venderia, esperaria o regresso de seu dono, ou simplesmente esqueceria que ela ocupava alguns centímetros da minha vaga. Assim o fiz, escolhi a última opção. Passado mais de um ano, recomecei a olhar para aquele grande objeto motorizado e remontei a análise dos fatos. Afinal, por que será que o dono não voltara em busca do seu troféu? Aquela demora ficou um tanto estranha e, através dos números, busquei resposta. Não havia e nem nunca haveria, o objeto era totalmente não identificado. Após algum tempo e alguns trabalhos rotineiros e vindouros ofereci a moto ao rapaz seguinte dessa história. Era um moço simples, habitava longinquamente e vivia uma vida tranquila. O tempo passou até que um belo dia, enquanto eu estava atarefado como de costume, embolado em meus afazeres profissionais, escutei um barulho de carro grande estacionando em minha porta. Levantei-me, olhei pela janela e percebi que o segundo moço havia mandado um caminhão oficial buscar a danada da moto. Fiquei surpreso com a coragem e iniciativa do sujeito. Peguei a chave e me dirigi para a parte inferior do prédio, a garagem. Olhei para a moto e tive a iniciativa de me despedir dela, afinal criou-se um sentimento entre mim e a tal coisa, uma relação de ocupação de espaço talvez, algo que não podia ser mais evitado, considerando-se o tempo em que ela fez companhia ao meu carro. Após as despedidas, e um breve tchau, lá se foi ela, fagueira e serelepe, pulando na boléia do caminhão cedido gentilmente por um padrinho político atuante da pequena cidade distante, local onde teria uma nova vida, uma nova oportunidade. Fiquei ali parado, tentando entender aquele sentimento inoportuno. O pagamento concordado anteriormente foi feito tempos depois. Uma bezerra nova, guardada especialmente para a negociação foi a escolhida para selar o contrato. Levei-a comigo para minha terra Natal, onde a aconcheguei em um canto de fazenda, para que pudesse viver em seu habitat natural. Ela cresceu, virou moça bonita e forte. Foi considerada adulta por um bom tempo. Esse tempo passou para todos e a vida seguiu seu rumo. A bezerra, assim como a moto não existe mais, estava velha e foi vendida para abate. A moto teve falência múltipla dos órgãos, foi enterrada em local apropriado, com as devidas pompas. Dessa história ficaram os herdeiros, os bezerros e bezerras que nasceram algum tempo depois. Alguns hoje também são adultos, foram criados com cuidado e atenção e se tornaram vacas valiosas. Andam pelos pastos acompanhados uns pelos outros como se estivessem desfilando suas manchas decorativas. O moço não vi mais, talvez esteja fazendo parte de outra história, de outro contrato. E eu sigo meu caminho, multiplicando a herança que me foi presenteada. Quando volto em minha terra, passeio pelos campos. Com meu cavalo vejo de perto minha cria, minha pequena boiada. Quando retorno à cidade grande, sentado em meu carro, que não é mais aquele que foi batido, as deixo longe, soltas nos verdes pastos, local onde sempre recorro buscando a riqueza e a verdade dessa singela história.
21/08/10 BASEADO EM FATO REAL

domingo, 17 de outubro de 2010

A Penetra


- Gente, que coisa estranha aquilo hein! Não entendi nada.
- Nem eu. Será que foi confusão?
- Nossa, vocês não vão acreditar, mas esqueci o convite lá em casa.
O que fazer em uma hora como essa? Simples, pedir para os amigos fazerem uma vaquinha malhada e pagarem a conta. O melhor é que nessas horas a gente aproveita para encher a cartela de pedidos. Piadas de uma noite de sábado.
Assim entrei no salão do baile. Com jeitinho de lá e cá. De penetra.
A festa começa e as aparências enganam, pessoas embaladas com roupagens diferentes, meias especialmente enfeitadas com desfiado especial para mudar o visual e idades escondidas por trás de cabelos exóticos. O problema é que esse tipo de característica confunde o pensamento e no fim a gente até acha que uma pessoa é a outra. Faz parte.
Baile é uma palavra única, que se divide em várias ao longo da madrugada. Primeiro entram em ação os mais velhos, dançando pela pista afora ao som de músicas antigas e que ficam na memória mesmo depois de uma semana. Depois os anos dourados e os rebeldes, até que a modernidade se instala e comove o mais quieto dos foliões.
- Por que eles não tocam a música toda? Pour-pori pra que? Que vontade de sentar, fico revoltado de trocarem a música logo no refrão.
- Gente, é melhor adiantar o relógio, não podemos perder a hora. De que mesmo?
- Não sei, mas o relógio do meu celular troca automático.
Lá pras tantas, quase cinco da manhã....
- Nossa! Esqueci de pagar o convite!
-É mesmo, melhor acertarmos agora de uma vez.
E ao som daquele samba básico que todos cantam, alguém paga duas contas e então vamos embora. Afinal, o dia seguinte tem mais festa, passeio, compras, almoço, acordar cedo para preparar detalhes de um casamento e todos os balangandãs de um domingo que promete ser primaveril.
Já ia me esquecendo.
- Qual chave mesmo abre a porta do prédio?